Fibromialgia e Síndrome miofascial

Fibromialgia: sintomas, diagnóstico e tratamento

O que é fibromialgia?

Fibromialgia é uma doença crônica caracterizada por dor muscular generalizada e aumento da sensibilidade à dor podendo estar associada à fadiga, distúrbio do sono, dor de cabeça crônica e transtorno de humor.

O que causa a fibromialgia?

A causa ainda é desconhecida. Vários fatores emocionais ou físicos podem ser responsáveis por desencadear os sintomas.

Apesar da dor ser sentida nos músculos e tecidos moles, nenhuma alteração é perceptível nesses locais. Isso ocorre devido uma alteração na percepção da dor, que chamamos de sensibilização central.  Outras doenças também podem desenvolver essa sensibilização central como síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica, cefaleias crônicas e disfunção da articulação temporomandibular (DTM).

Quais os sintomas?

O principal sintoma da fibromialgia é a dor persistente e difusa pelo corpo. Essa dor pode ser descrita de várias maneiras como latejante, profunda, pontada, queimação, entre outras. Os pacientes também podem se queixar de formigamento e dormência nos membros. As dores podem exacerbar durante períodos de estresse ou ansiedade, após esforço físico, exposição ao frio ou umidade.

Outros sintomas dolorosos também podem acompanhar os pacientes com fibromialgia como dores de cabeça frequentes, sintomas da síndrome do intestino irritável, manifestando-se com dor abdominal associada a episódios de diarreia, constipação  ou ambos e dores ou sensibilidade facial ou na mandíbula devido à disfunção temporomandibular (DTM).

Outras queixas frequentes são o cansaço e a fadiga presentes em mais de 90% dos pacientes com fibromialgia. Distúrbio do sono é bastante prevalente, e os pacientes geralmente reclamam de sono leve, vários despertares noturnos e sono não reparador.

Como se faz o diagnóstico?

O diagnóstico da fibromialgia  é clínico, isto é, baseado na história clínica do paciente, em um exame físico completo e em alguns exames laboratoriais. Estes exames são necessários para descartar doenças que apresentam sintomas semelhantes.  Não existe um exame laboratorial ou radiológico específico que faça o diagnóstico de fibromialgia.

Para a classificação da fibromialgia existe o critério do Colégio Americano de Reumatologia (ACR) desenvolvido em 1990 que se baseia na presença dos sintomas de dor musculoesquelética generalizada e pontos dolorosos em pelo menos 11 dos 18 locais específicos previamente conhecidos.

Uma outra abordagem para o diagnóstico é através dos critérios diagnósticos preliminares da ACR 2010.  Esses critérios ACR 2010 retiraram a contagem de pontos dolorosos, essenciais para o diagnóstico descrito acima, mas trazem para a avaliação clínica sintomas frequentemente relatados pelos pacientes como dor de cabeça, fadiga, cansaço, alteração de memória e depressão. Além disso, os pontos dolorosos foram trocados por áreas dolorosas como na figura abaixo.

Como é o tratamento na fibromialgia?

O tratamento da fibromialgia na sua grande maioria é multidisciplinar, isto é, diversos profissionais acompanharão o paciente fibromiálgico. Além do reumatologista, profissionais como psicólogo, psiquiatra, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta, especialista em sono poderão fazer partedo tratamento e acompanhamento do paciente. Além disso, podemos dividir o tratamento em medicamentoso e não medicamentoso.

Tratamento sem medicamento

Exercício físico

O exercício físico  é considerado um dos pilares no tratamento da fibromialgia. Sabe-se que os pacientes que realizam algum tipo de atividade física apresentam respostas muito melhores no controle da dor. Por isso é importante realizar de forma regular exercícios como musculação, caminhada, natação,  bicicleta, hidroginástica, dança, entre outras . Além da redução da dor , essas atividades levam ao aumento da força muscular, melhora da capacidade aeróbica e consequentemente, melhora da parte cognitiva e sono.

Lembrando que todo programa de exercícios deve ser iniciado gradualmente com aumento progressivo de sua intensidade e duração. Por isso, não fique parado e inicie o quanto antes uma atividade física. E lembre-se, converse sempre com o seu médico para saber qual a melhor atividade para você.

Alimentação

Uma pergunta bastante frequente no consultório do reumatologista é se a alimentação tem alguma influência sobre a dor na fibromialgia? Ou se existem alguma dieta específica no tratamento da fibromialgia?

Muitos estudos estão mostrando que a resposta para essas duas perguntas é SIM. A alimentação também tem um papel importante no tratamento da fibromialgia e hoje é considerada também é um dos pilares terapêuticos.  Por isso escrevemos um texto falando especificamente sobre isso aqui no site. ( Fibromialgia e Alimentação).

Existem alimentos que podem ajudar na redução da dor como aqueles que contem antioxidantes, Coenzima Q10 e que ajudam na produção do L-Triptofano (precursos da serotonina). E existem alimentos que atuam no aumento da dor como os carboidratos simples, aspartame, glutamato monossódico, alimentos processados, óleos e o glúten.

Fisioterapia

Atualmente a fisioterapia tem sido uma importante aliada no tratamento do paciente com fibromialgia. Através de diversas técnicas, o fisioterapeuta tem auxiliado muito no controle da dor do paciente. Entre as opções de tratamento fisioterápico na fibromialgia tem: cinesioterapia (fortalecimento e alongamento), eletroterapia (TENS), hidroterapia e massagem (liberação miofascial por exemplo)

Outros tratamentos

Outras medidas não farmacológicas como terapia de relaxamento, acupuntura, tai chi e yoga têm mostrado benefício na redução da dor em paciente com fibromialgia.

Medidas de higiene do sono também são também muito importantes para controle da dor ( clique aqui).

Tratamento com medicamento

Atualmente existem diversos medicamentos utilizados no tratamento da fibromialgia que devem ser prescritos de maneira individualizada. Incluem os analgésicos (paracetamol e tramadol), relaxantes musculares ( ciclobenzaprina e tizanidina), anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina e nortriptilina), inibidores seletivos da recaptação da serotonina (fluoxetina e paroxetina), inibidores seletivos da recaptação da serotonina e noroadrenalina (duloxetina) e anti-convulsivantes (pregabalina e gabapentina).

Segue abaixo algumas dicas e conselhos para o tratamento:

– A fibromialgia não é uma condição degenerativa e/ou deformante e não apresenta risco à vida.

– O entendimento sobre a fibromialgia ajuda muito no tratamento, por isso, a educação e mudança do comportamento são importantíssimos para ajudar a lidar com os sintomas.

–  A realização de atividade física não está contraindicada e deve ser sempre incentivada.

– Os pacientes com fibromialgia devem estar cientes de que no início do programa de atividade física pode haver piora da dor musculoesquelética, mas que posteriormente haverá melhora progressiva do quadro doloroso.

– O tratamento da dor e da fadiga é prolongado e na maioria das vezes para toda a vida. Os pacientes devem saber que existem períodos de melhora e piora e fatores que exacerbam o quadro doloroso.

– A maioria dos pacientes com fibromialgia melhoram e levam uma vida plena e ativa.

Perguntas frequentes sobre fibromialgia

Fibromialgia é um reumatismo?

Sim, a fibromialgia é um reumatismo. Lembrando que quando falamos no termo reumatismo, estamos nos referindo a diversas doenças que o reumatologista trata. Se quiser entender um pouco melhor, leia nosso post que fala sobre reumatismo (clique aqui).

Fibromialgia engorda?

A fibromialgia não engorda, mas o que já se sabe até o momento é que a obesidade é um fator de risco para a dor crônica. Logo, estar acima do peso pode contribuir para o desenvolvimento da fibromialgia. Alguns estudos mostram que cerca de 30-40% dos pacientes com fibromialgia são obesos e 20-30% tem sobrepeso. Existem várias explicações para esta associação da fibromialgia e obesidade que incluem: a presença concomitante de transtorno depressivo ou ansiedade que levaria a uma maior compulsão alimentar, distúrbio do sono que poderia ocasionar em alteração do metabolismo, distúrbio cognitivo e do sistema opióide endógeno. Lembrar também que alguns medicamentos utilizados no tratamento da fibromialgia podem contribuir para o ganho de peso.

Fibromialgia pode matar?

Devido as dores intensas e limitações importantes que a fibromialgia pode causar, muitos pacientes questionam se pode levar à morte. A resposta para essa pergunta é não. A fibromialgia não mata e também não leva a nenhuma deformidade permanente.

Quem tem fibromialgia pode engravidar?

Sim,  pode engravidar. A doença não causa nenhuma alteração no sistema reprodutor que impeça a gravidez. E por isso é importante que a paciente esteja em acompanhamento médico reumatológico, uma vez que muitos dos medicamentos utilizados no tratamento da fibromialgia devem ser suspensos ou substituídos.

O paciente com fibromialgia tem direito à aposentadoria por invalidez?

Essa pergunta é bastante frequente no consultório do reumatologista. Como a fibromialgia é uma doença crônica, que causa limitações importantes devido a dor, muitas vezes limitações essas que incapacitam para atividades laborais, o paciente portador da doença pode ser beneficiado com o auxílio doença, aposentadoria por invalidez  e BCP/LOAS.  Lembrando que para conseguir esses benefícios é necessário cumprir os critérios estipulados pelo INSS. Infelizmente, na prática observamos que poucas vezes os pacientes conseguem esses benefícios.

 

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