Fenômeno de Raynaud: sintomas, causas e tratamento

Fenômeno de Raynaud: sintomas, causas e tratamento

Você apresenta alteração da coloração dos dedos das mãos durante o frio?
Você pode ter fenômeno de Raynaud. Neste post explicamos o que é o
Fenômeno de Raynaud, quais seus sintomas, causas e como é o tratamento.
Não deixe de ler!

O que é fenômeno de Raynaud?

O fenômeno de Raynaud  (FR) é uma resposta vascular
exagerada ao frio ou ao estresse, caracterizada pela alteração da coloração
de determinada parte do corpo.  Apesar de ocorrer mais frequentemente
nos dedos das mãos e pés, também pode ocorrer nos lábios, nariz, lobos das
orelhas e mamilos. 

Este fenômeno caracteriza-se por espasmos episódicos, chamados de
vasosespasmos, que fazem com que os pequenos vasos das mãos e pés se
contraiam (fechem ou apertem). Geralmente ocorre em resposta a uma
temperatura extrema (fria) ou estresse físico (por exemplo, determinadas
atividades ou trabalhos). Esse espasmo leva a uma redução da circulação dos
dedos, levando a alteração de sua cor. Esta alteração da cor tipicamente
manifesta-se em três fases: a palidez (dedos brancos), cianose (dedos azuis)
e hiperemia (dedos vermelhos).

As três fases do Fenômeno de Raynaud

O FR é pode ser dividido em primário ou secundário. É primário quando ocorre
isoladamente e secundário quando está associado a alguma doença ou condição.

Fenômeno de Raynaud Primário

Também chamado de doença de Raynaud, o fenômeno de Raynaud primário é o mais
comum e causa sintomas mais leves. Uma pessoa que tem o diagnóstico de
Raynaud primário não apresenta outro problema médico que seja responsável
pelos sintomas. Além disso, a maioria dos casos de fenômeno de Raynaud
primário (cerca de 75%) ocorrem em mulheres entre 15 e 40 anos. 

Fenômeno de Raynaud Secundário

Menos comum que a forma primária, o fenômeno de Raynaud secundário,
entretanto, costuma ter um comprometimento mais grave. É causado por uma
doença ou condição subjacente. É bastante comum em pessoas com doenças do
tecido conjuntivo. Algumas dessas doenças diminuem a circulação sanguínea
para os dedos das mãos e dos pés, fazendo com que as paredes dos vasos
sanguíneos fiquem mais grossas.. Por conseguinte, faz com que os vasos se
contraiam com maior facilidade. O fenômeno de Raynaud acontece em cerca de
um terço dos pacientes com
lúpus eritematoso sistêmico (lúpus)
e em aproximadamente 85 a 95 por cento dos pacientes com
esclerose sistêmica. Além disso, pode ocorrer também em quem têm outras doenças do tecido
conjuntivo, como síndrome de Sjögren, dermatomiosite e polimiosite.

Em quem ocorre o fenômeno de Raynaud?

A prevalência do FR varia entre 5 a 17% dependendo da população estudada. O
FR primário ocorre mais frequentemente em mulheres do que em homens, não tem
predileção por raça, a idade de maior acometimento é entre 20 e 30 anos e
geralmente existe história na família.  Já o FR secundário apresenta
sua epidemiologia de acordo com a doença de base.

Quais as causas do fenômeno de Raynaud?

A causa específica do FR primário continua desconhecida.  Mas sabe-se
que é decorrente da exposição ao frio ou estresse emocional.

Em condições normais, quando uma pessoa entra em contato com frio, a
resposta de seu corpo é diminuir a perda de calor. Portanto, o corpo faz com
que os vasos sanguíneos, que controlam a circulação sanguínea da superfície
da pele, movam o sangue das artérias superficiais para as veias mais
profundas do corpo.

No entanto, para quem tem FR, essa resposta normal do corpo é intensificada
pelas contrações dos pequenos vasos sanguíneos que fornecem sangue aos dedos
das mãos e dos pés. Isso faz com que as artérias dos dedos das mãos e dos
pés se contraiam intensamente. O resultado é uma grande diminuição do fluxo
de sangue para as áreas do corpo afetadas, causando a alteração da cor da
pele.

Já as causas para o FR secundário podem ser divididas em diversas categorias
como:

Ocupacional:

Uso de ferramentes vibratórias como martelos pneumáticos e lixadeiras,
exposição ao policloreto de vinila

Desordens autoimunes: 

Esclerose sistêmica, LES, doença mista do tecido conjuntivo (DMTC),
artrite reumatoide,
síndrome de Sjogren, polimiosite e dermatomiosite

Infecciosa:

Hepatite B, hepatite C, infecção pelo micoplasma

Hematológica:

Hemoglobinúria paroxística noturna, policitemia

Neoplásica:

Linfoma, leucemia, mieloma múltiplo, adenocarcinoma de pulmão

Endocrinológica/Metabólica:

Acromegalia,
diabetes mellitus, feocromocitoma, doenças da tireóide

Medicamentos: 

Contraceptivos orais, bromocriptina, ciclosporina e alguns antineoplásicos

Outros:

Síndrome do túnel do carpo

Apesar do fenômeno de Raynaud secundário estar relacionado com diversas
doenças autoimunes, a associação mais comum é com a esclerose sistêmica (90% dos pacientes) e
doença mista do tecido conjuntivo (85% dos pacientes).

Quais os sintomas do fenômeno de Raynaud?

O fenômeno de Raynaud ocorre mais frequentemente nas mãos, mas os ataques
podem acometer os dedos dos pés e outras partes do corpo. O episódio típico
é caracterizado pelo início súbito de dedos frios em associação com
alteração da cor bem demarcada, sendo inicialmente a fase de palidez a
primeira a ocorrer, seguida pela cianose (coloração azulada dos dedos).
Estas duas primeiras fases são decorrentes da diminuição da perfusão
(circulação sanguínea )  dos dedos. Posteriormente ocorre fase da
hiperemia (dedos vermelhos) em que há a volta da circulação dos dedos. As
três fases ocorrem em 2/3 dos pacientes, mas formas incompletas também podem
acontecer  (apenas duas cores).



               

Os sintomas de formigamento, amortecimento, agulhadas e dor são frequentes e
decorrentes da redução do fluxo sanguíneo no local acometido.

Como é feito o diagnóstico do fenômeno de Raynaud?

O diagnóstico do fenômeno de Raynaud baseia-se essencialmente na história
clínica e nos achados do exame físico. Os exames complementares devem ser
solicitados àqueles pacientes em que haja a possibilidade de apresentar uma
doença como causa do FR.

Exames laboratoriais específicos para as doenças descritas acimas devem ser
coletados na suspeita diagnóstica. NA suspeita de doenças autoimunes deve
ser solicitados hemograma, prova de atividade inflamatória, FAN, fator
reumatoide, complemento, parcial de urina e outros.

A capilaroscopia periungueal  é um exame que fornece
bastante dados, principalmente para doenças autoimunes reumatológicas como a
esclerose sistêmica. O exame é normal no FR primário. 

E afinal, o que é o exame de capilaroscopia periungueal?

A capilaroscopia periungueal (saiba mais aqui) é um exame
em que médico coloca uma gota de óleo na na pele da base da unha. O médico
então examinará esta região (periungueal) através de um microscópio ou um
oftalmoscópio de mão para procurar anormalidades dos capilares (pequenos
vasos). Se esses capilares estiverem aumentados ou anormais, isso pode
indicar que o paciente tem uma doença do tecido conjuntivo (por exemplo,
lúpus, esclerose sistêmica, polimiosite. etc).

Quando suspeitar de fenômeno de Raynaud secundário?

Algumas pistas clínicas sugerem a presença de FR secundário:

  • Início tardio (> 40 anos)
  • Ataques assimétricos
  • Sintomas prolongados e persistentes
  • Presença de úlceras ou cicatrizes
  • Presença de sintomas sistêmicos
  • Exames laboratoriais alterados
  • Alteração na capilaroscopia

Qual o tratamento do fenômeno de Raynaud?

O tratamento se baseia em medidas não medicamentosas e medicamentosas.

Tratamento sem medicamento

Lembre-se que o episódio de Raynaud nunca deve ser ignorado. Ao realizar as
medidas adequadas e de forma rápida, a duração e a gravidade do ataque
geralmente diminuem. A primeira e mais importante ação é aquecer as mãos e
os pés. Por isso, mantenha sempre o corpo aquecido com as extremidades
protegidas do frio (mãos, pés, orelhas e pescoço) e evite exposição a
lugares frios.  Mergulhar as mãos e pés  em uma bacia de agua
morna ou quente também ajudará. No caso de estresse, aprender técnicas de
relaxamento, com certeza ajudará a reduzir o tempo e gravidade de um ataque.

– Mantenha-se aquecido

Além de manter aquecidos mãos e pés, saiba que é muito importante também
evitar o resfriamento de qualquer  parte do corpo. Por isso, preste
sempre atenção à maneira como você se veste. Recomenda-se o uso de meias
grossas, luvas ou minetes, chapéus ou toucas e xales ou cachecóis .
Lembre-se também que grande quantidade de calor corporal se perde através do
couro cabeludo e região cervical, por isso, é importante proteger essas
regiões.

– Mantenha os pés e as mãos secos e quentes

O uso de bolsas térmicas ou luvas e pantufas térmicas podem fornecer
proteção adicional durante longos períodos de frio. Outras sugestões
incluem:

  • Evite colocar as mãos em água fria 
  • Evite tocar em metais frios
  • Evite quartos com ar condicionado ou locais muito frios como áreas de
    congelados em mercados

– Pratique bons cuidados com a pele

Aplique hidratante ou creme nas mãos, especialmente depois de lavar as mãos
para evitar ressecamento e rachaduras

– Pare de fumar

A nicotina faz com que a temperatura da pele caia, o que pode levar a um
crise de vasoespasmo.

– Cuidado com alguns medicamentos

Evite medicamentos como descongestionantes nasais, anfetamina, ergotamina,
clonidina, entre outros, pois podem desencadear crises.

Tratamento com medicamento

O tratamento medicamentoso vai depender da gravidade do FR e da causa da
doença de base, quando esta existir. Os bloqueadores do canal de cálcio (por
exemplo, nifedipina, anlodipina e diltiazen) são a classe de medicamentos
mais amplamente utilizada. Outros medicamentos que já foram estudados e são
empregados no tratamento do FR são a nitroglicerina tópica, análogos da
prostaglandina (iloprost), inibidor seletivo da receptação de serotonina
(ex. fluoxetina), inibidores da fosfodiesterase (sildenafil,
tadalafil),  antagonistas da angiotensina II (ex. losartana).

Todas as informações acima não substituem a consulta médica com um
especialista.

A Loyola e Avellar possui profissionais capacitados e tem como objetivo
cuidar da saúde e bem-estar de seus pacientes.  Por isso, agende
sua consulta agora mesmo:   41.3076-3054 ou whatsapp

Dr. Marcelo de Loyola e Silva Avellar Fonseca – Reumatologista

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