As doenças cardíacas são a maior causa de morte em
mulheres no Brasil
As doenças cardíacas, como o infarto do miocárdio, são frequentemente
consideradas um problema maior para os homens. No entanto, é a causa mais
comum de morte para mulheres e homens no Brasil. E como alguns sintomas de
infarto nas mulheres podem ser diferentes dos homens, as mulheres muitas
vezes acabam não procurando uma avaliação cardiológica.
Felizmente, ao reconhecer os sintomas específicos do infarto, as mulheres
podem começar a reduzir esses riscos.
Sintomas de infarto em
mulheres
Tal como acontece com os homens, o sintoma de infarto agudo do miocárdio mais
comum nas mulheres é dor ou desconforto no peito. Geralmente, esta é
caracterizada por dor torácica opressiva que dura mais do que alguns
minutos. Mas a dor
no peito nem sempre é forte ou mesmo o sintoma mais
importante. As mulheres, por exemplo, têm maior probabilidade do
que os homens de apresentar sintomas não relacionados à dor no peito,
como:
- Desconforto no pescoço, mandíbula, ombro, parte superior das costas ou
abdominal - Falta de ar
- Náusea ou vômito
- Dor em um ou ambos os braços
- Sudorese
- Tontura
- Fadiga
Esses sintomas podem ocorrer porque as mulheres tendem a ter obstruções não
apenas em suas artérias principais, mas também nas menores que fornecem
sangue ao coração – uma condição chamada doença cardíaca de pequenos
vasos ou doença microvascular coronariana.
Como as mulheres nem sempre reconhecem seus sintomas como os de um ataque
cardíaco, elas tendem a aparecer nos pronto-socorros mais tardiamente.
Consequentemente, isso pode levar a complicações cardíacas maiores.
As mulheres têm fatores de risco que os
homens não têm.
Certas doenças que afetam apenas as mulheres, como endometriose, doença dos
ovários policísticos, diabetes e hipertensão que se desenvolvem durante a
gravidez, aumentam o risco de doença arterial coronariana, a principal causa
de infarto. Por exemplo, foi constatado que a endometriose aumenta o risco
de desenvolver DAC em 400% em mulheres com menos de 40 anos.
Além disso, as mulheres também compartilham fatores de risco tradicionais com
os homens: pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e
obesidade. Abaixo descreveremos alguns dos principais fatores de
risco:
Diabetes
As mulheres com diabetes têm maior probabilidade de desenvolver doenças
cardíacas do que os homens com diabetes.
Além disso, como o diabetes pode mudar a maneira como você sente dor, você
corre um risco maior de sofrer um infarto silencioso.
Tabagismo
Fumar é um fator de risco maior para doenças cardíacas nas mulheres do que
nos homens. (clique aqui
para saber mais sobre tabagismo)
Sedentarismo
A falta de atividade física é um importante fator de risco para doenças
cardíacas. Algumas pesquisas descobriram que as mulheres são menos ativas do
que os homens.
Estresse mental e depressão
O estresse e a depressão afetam mais o coração das mulheres
do que dos homens. A depressão torna difícil manter um estilo de vida
saudável e seguir o tratamento recomendado.
Menopausa
Os baixos níveis de estrogênio após a menopausa representam um risco
significativo de desenvolvimento de doenças em vasos sanguíneos menores.
Complicações na gravidez
A hipertensão ou diabetes durante a gravidez podem aumentar o risco da mãe de
desenvolver hipertensão e diabetes posteriormente. Consequentemente, essas
condições também aumentam a probabilidade de as mulheres desenvolverem
doenças cardíacas.
História familiar de doença cardíaca
precoce
Este parece ser um fator de risco maior nas mulheres do que nos homens.
Doenças inflamatórias
Artrite reumatóide, lúpus e outras doenças auto-imunes que são mais
prevalentes em mulheres, podem aumentar o risco de doenças
cardíacas.
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O infarto ocorre apenas em mulheres mais
velhas?
Não. Mulheres de todas as idades devem ficar atentas. Especialmente
aquelas com histórico familiar ou com fatores de risco para infarto do
miocárdio.
As mulheres geralmente são mais velhas
quando têm seu primeiro infarto?
O estrogênio oferece às mulheres alguma proteção contra doenças cardíacas até
depois da menopausa, quando os níveis de estrogênio caem. É por isso que a
incidência de infarto nas mulheres aumenta após os 65 anos. Já nos homens
esse aumento ocorre após os 55 anos.
O que as mulheres podem fazer para reduzir
o risco de infarto?
Seja você homem ou mulher, nunca é tarde para se cuidar.. Aqui estão algumas
orientações para reduzir a chance de ter um infarto:
Pare de fumar. Parar de fumar é uma das mudanças com mais
impacto na redução do risco de infarto. Além disso, tente evitar a exposição
ao fumo passivo, que também pode danificar os vasos sanguíneos.
Pratique exercícios regularmente. Em geral, todos
devem realizar atividade física regular. Por isso, orientamos a prática de
pelo menos 150 min por semana de atividade aeróbica.
Mantenha o peso adequado. Cuide do seu peso pois o sobrepeso
e obesidade aumentam o risco de eventos cardíacos. Se você está acima do
peso, converse com seu médico. Perder alguns quilos vai fazer bem ao seu
coração..
Alimentação saudável. Como todos já sabem, a alimentação
saudável é fundamental para uma boa saúde do coração. Faça uma dieta rica em
frutas, vegetais, grãos inteiros e pobre em produtos de origem animal,
carboidratos simples e alimentos processados.
Evite o estresse. O estresse pode fazer com que suas
artérias se contraiam, o que pode aumentar o risco de doenças cardíacas,
principalmente doenças microvasculares coronárias.
O tratamento para doenças cardíacas nas
mulheres é diferente do dos homens?
Em geral, o tratamento de doenças cardíacas em mulheres e homens é
semelhante. Pode incluir medicamentos, angioplastia e implante de stent ou
cirurgia cardíaca.
As mulheres têm menos probabilidade de receber prescrições de terapia com
estatinas para prevenir futuros ataques cardíacos do que os homens. No
entanto, estudos mostram que os benefícios são semelhantes em ambos os
grupos. A angioplastia e o implante de stent, tratamentos comumente usados
para ataques cardíacos, funcionam tanto para homens quanto para mulheres.
Mas para a cirurgia de revascularização do miocárdio, as mulheres têm maior
probabilidade de complicações do que os homens.
A reabilitação cardíaca pode melhorar a saúde e ajudar na recuperação de
doenças cardíacas. Entretanto, as mulheres têm menos probabilidade de serem
encaminhadas para reabilitação cardíaca do que os homens.
Cardiologia – Curitiba
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Dr. Alexandre L. S . Avellar Fonseca – Cardiologista