L&A ATUALIZAÇÕES
De acordo com um relatório publicado em 02 de fevereiro no Journal of
Infectious Diseases, o uso de anti-inflamatórios não esteróides (AINE)
durante a infecção respiratória aguda (IRA) aumenta o risco
de infarto agudo do miocárdio (IAM) em 3,4 vezes se
administrado por via oral e 7,2 vezes com administração parenteral, em
comparação com o risco basal (sem uso de AINEs ou sem infecção respiratória).
Vários estudos já haviam demonstrado o risco isoladamente aumentado de IAM
durante uma IRA, bem como um risco aumentado de IAM com uso de AINE. No
entanto, nenhum estudo havia examinado previamente o efeito da exposição
combinada de AINEs e IRA.
Devido essa possível correlação, Yao-Chun Wen, do Hospital Nacional da
Universidade de Taiwan, em Taipei, e colegas investigaram o efeito combinado
do uso de AINE e IRA através de um estudo “cross-over” que
incluiu 9793 pacientes com hospitalização por IAM entre 2007 e 2011. Os
autores compararam o risco de IAM entre pacientes com exposição a IRA e AINEs,
IRA sem exposição a AINEs, exposição apenas a AINE ou sem exposição (nem uso
de AINE e nem IRA).
Quando comparado com pacientes que não tiveram quaisquer exposição, o uso de
AINE durante a IRA foi associado a um risco aumentado de 3,4 vezes para o IAM
(odds ratio ajustado [aOR], 3,41, intervalo de confiança de 95% [IC],
2,80-4,16), IRA sem AINE foi associada a um aumento de 2,7 vezes o risco de
IAM (aOR, 2,65; IC de 95%, 2,29 – 3,06) e o uso de AINE isolado foi
associado a um risco 1,5 vezes maior (aOR, 1,47; IC95%: 1,33-1,62). Em relação
a administração de AINE parenteral em doentes com IRA houve um risco ainda
maior de IAM (aOR, 7,22; IC a 95%, 4,07 – 12,81).
A dosagem de AINE utilizada também apresentou diferença com o risco de IAM.
Os AINEs de baixa dosagem administrados por via oral para tratar os sintomas
de IRA foram associados com um risco aumentado 3 vezes para IAM (aOR, 2,95,
IC95%, 2,31-3,75), enquanto que os AINEs orais de dose elevada foram
associados a um risco aumentado 3,3 vezes para o IAM (AOR, 3,32; IC a 95%,
2,34 – 4,93).
Segundo os pesquisadores, o “efeito potencial” da associação de
AINEs e IRA é consistente com aumento na produção de citocinas, acúmulo de
macrófagos em lesões ateroscleróticas e aumento da inflamação e coagulação na
IRA. Os AINEs poderiam elevar a pressão arterial através do aumento da
retenção de sódio e água, o que favoreceria o rompimento dos depósitos de
placa e também ao aumento da síntese de leucotrienos, levando à agregação
plaquetária e reduzindo os níveis prostaglandina I2.
Charlotte Warren-Gash, PhD,da London School of Hygiene and Tropical Medicine,
Reino Unido, e Jacob A. Udell, MD, MPH, da Universidade de Toronto, Ontário,
Canadá, concordam com os pesquisadores que os efeitos pró-inflamatórios e
pró-coagulantes dos AINEs e IRA podem criar um “ambiente” propício
para um evento cardíaco.
“É certamente plausível que a interação entre esses mecanismos
deletérios pode, em parte, explicar o maior risco de IAM visto em indivíduos
com IRAs tratados com AINEs em comparação com aqueles com IRAs não tratados ou
aqueles com uso de AINEs isoladamente”, avaliam Dr. Warren-Gash e Dr.
Udell .
“O relatório de Wen e colaboradores contribui para a evidência de”
efeitos gatilhos ” do IAM e destaca a necessidade de uso cauteloso de
AINEs no contexto da IRA. Os médicos devem considerar as condições médicas e
os medicamentos existentes ao prescrever AINEs para sintoma de alívio na
IRA”, concluem Dr. Warren-Gash e Dr. Udell,
As limitações do estudo incluem a não avaliação da gravidade da IRA, a não
diferenciação entre os AINES e a incapacidade de dizer se os pacientes
realmente tomaram os AINEs indicados em seus registros.
Texto publicado no Medscape
J Infect Dis. Published online February 2, 2017
A Loyola e Avellar possui profissionais capacitados e tem como objetivo
cuidar da saúde e bem-estar de seus pacientes. Agende sua consulta agora mesmo: 41.3076-3054 ou
whatsapp