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Síndrome do coração partido – conheça as causas, diagnóstico e tratamento

A síndrome do coração partido, também conhecida como cardiomiopatia de estresse e síndrome de takotsubo, é uma doença cardíaca súbita que causa uma alteração transitória no funcionamento do músculo cardíaco.

Foi descrito pela primeira vez no Japão em 1990 e agora é relatado em todo o mundo. Foi chamada de cardiomiopatia “takotsubo” porque, durante a fase aguda da síndrome, o ventrículo esquerdo assume a forma de balão. Esta forma é semelhante em aparência ao tako-tsubo do pescador japonês, o que significa uma armadilha de polvo.

A síndrome do coração partido acomete mais frequentemente mulheres com idades entre 61 e 76 anos. A condição geralmente ocorre imediatamente após experimentar estresse  emocional ou físico extremo.

A maioria dos indivíduos com esta síndrome busca tratamento de emergência por causa da preocupação de que possam estar tendo um ataque cardíaco. Embora tenham sintomas semelhantes aos de um ataque cardíaco, os indivíduos com cardiomiopatia de takotsubo não apresentam evidências de artérias coronárias bloqueadas e se recuperam rapidamente.

Causas

A causa exata da síndrome do coração partido não é clara. Acredita-se que a liberação repentina de hormônios do estresse, como a norepinefrina, epinefrina e dopamina pode danificar temporariamente o músculo cardíaco de algumas pessoas. Existem vários mecanismos que podem estar envolvidos na síndrome e que estão sob investigação, como:

  • Espasmo de artéria coronária;  
  • Função microvascular cardíaca prejudicada;
  • Atordoamento do miocárdio induzido por catecolaminas endógenas e microinfarto;
  • Disfunção endotelial da coronária 

Em cerca de 2/3 dos casos, a doença é precedida por intenso estresse emocional  ou estresse físico, como:

  • Falecimento de um ente querido
  • Divórcio
  • Perda de um emprego
  • Condição médica significativa recém-diagnosticada
  • Exacerbação de uma doença médica crônica
  • Cirurgia
  • Internamento em unidade de terapia intensiva

Manifestação Clínica

A cardiomiopatia de Takotsubo pode ocorrer em adultos de qualquer idade, mas geralmente se desenvolve em mulheres de meia idade e idosas.

A apresentação clínica de pacientes é geralmente indistinguível dos pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM)..Os sintomas mais comuns são o início abrupto de dor intensa no peito e dificuldade para respirar (dispneia). Ansiedade, sudorese (diaforese), náuseas, vômitos, palpitações e perda transitória de consciência (síncope) também podem ocorrer. 

Uma das características mais particulares é sua associação com um evento  físico ou emocional estressante precedente. E ao contrário do IAM, para a qual o pico de ocorrência é durante o período da manhã, a síndrome do coração partido ocorre mais à tarde, quando os gatilhos estressantes são mais prováveis ​​de ocorrer.

Diagnóstico

Normalmente, os indivíduos com síndrome do coração partido apresentam sintomas indistinguíveis de um infarto agudo do miocárdio (IAM). Portanto, serão considerados como tendo um ataque cardíaco até que se prove o contrário.

Os dois exames iniciais mais comuns e úteis para um indivíduo com sintomas sugestivos de IM agudo são o eletrocardiograma (ECG) e os níveis de troponina no sangue, que é um marcador de lesão do músculo cardíaco. Na síndrome do coração partido, o ECG geralmente mostra alterações que são vistas no IAM, e os níveis de troponina estão elevados. No entanto, quando a angiografia coronária (cateterismo cardíaco) é realizada, nenhuma obstrução significativa da artéria coronária é visualizada.

Os critérios modificados da Mayo Clinic para o diagnóstico desta síndrome podem ser aplicados a um paciente no momento da apresentação. O diagnóstico requer a presença de todos os quatro critérios:

  • Alteração na contração do músculo cardíaco (hipocinesia, discinesia ou acinesia transitória dos segmentos médios do ventrículo esquerdo), com ou sem envolvimento do ápice cardíaco. 
  • Ausência de doença coronariana obstrutiva ou evidência angiográfica de ruptura aguda da placa.
  • Novas anormalidades no ECG (elevação do segmento ST e / ou inversão da onda T) ou elevação modesta no nível de troponina cardíaca.
  • Descartar a presença de feocromocitoma ou miocardite.

TRATAMENTO

Embora não exista um tratamento padrão para a síndrome do coração partido, pacientes devem ser tratados como portadores de IAM até que se prove o contrário. 

O manejo clínico centra-se principalmente no controle dos sintomas e na prevenção e tratamento das complicações associadas (terapia de suporte). Os pacientes que desenvolvem insuficiência cardíaca são geralmente tratados com medicamentos que estimulam a diurese (eliminação de urina) e medicamentos que dilatam os vasos sanguíneos (vasodilatadores) para diminuir a pressão arterial contra a qual o coração deve bombear. Já os pacientes com choque cardiogênico podem necessitar de reposição de fluidos e agentes inotrópicos (aumentam a contratilidade cardíaca).

Medicamentos

Atualmente, nenhum ensaio clínico randomizado foi realizado para avaliar as terapias médicas para a síndrome do coração partido.  No entanto, é prática comum prescrever inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor da angiotensina (BRAs), pelo menos até que a função do ventrículo esquerdo seja restaurada. 

Outros medicamentos ambulatoriais que são utilizados no tratamento de IAM, como estatinas, aspirina e clopidogrel, têm benefícios desconhecidos.

Em alguns pacientes, anticoagulantes podem ser indicados para prevenir a formação de coágulos sanguíneos (trombo). 

 As arritmias são comuns na cardiomiopatia de takotsubo e são um dos principais determinantes do resultado do paciente. A arritmia deve ser tratada de acordo com os protocolos adequados .  

O controle da dor e a abordagem dos estressores emocionais e físicos que podem ter desempenhado um papel no desenvolvimento da doença são dois outros fatores importantes a serem considerados.

Prognóstico

A maioria dos indivíduos que desenvolve a síndrome do coração partido se recupera totalmente em um mês, e a recorrência é rara. No entanto, as complicações ocorrem em cerca de 20% dos pacientes, particularmente no estágio inicial. Dentre as complicações possíveis incluem: insuficiência cardíaca congestiva, choque cardiogênico, arritmias ventriculares, formação de trombono VE, ruptura da parede livre do VE e morte 

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Alexandre

Dr. Alexandre de Loyola e Silva Avellar Fonseca – Cardiologista