alopurinol no tratamento da fibromialgia

Alopurinol pode reduzir dor na fibromialgia

Em um estudo piloto, o tratamento por um mês com alopurinol, medicamento utilizado na gota e hiperuricemia, diminuiu expressivamente a dor em mulheres com fibromialgia que não responderam aos tratamentos convencionais.

O estudo “Efeitos do alopurinol na dor e ansiedade em pacientes com fibromialgia: um estudo piloto” foi publicado no Brazilian Journal of Anesthesiology.

O esquema terapêutico da fibromialgia é bastante complexo e abrange diversas terapias que atuam em diferentes vias biológicas. Apesar disso, nem todos os pacientes respondem a essas terapias convencionais.

As purinas

As purinas são pequenas moléculas com funções essenciais dentro das células. Elas são encontradas no RNA e no DNA e estão envolvidas na percepção e transmissão da dor no sistema nervoso. Assim sendo, são considerados alvos importantes no tratamento da dor.

O metabolismo das purinas dá origem ao ácido úrico, um produto residual que é encontrado no sangue e facilmente dosado. A maior parte do ácido úrico é dissolvido no sangue, filtrado pelos rins e eliminado do corpo na urina. O alopurinol é um derivado da purina que bloqueia a produção de ácido úrico através da redução da degradação das purinas.

Em estudos anteriores, o alopurinol mostrou reduzir diferentes tipos de dor em modelos de roedores. Por isso, um grupo de pesquisadores brasileiros conduziu um estudo piloto para determinar se o alopurinol poderia ajudar a atenuar a dor em pessoas com fibromialgia.

O estudo

No total, o estudo envolveu 12 mulheres com fibromialga, com idades variando entre 18 e 65 anos que não responderam ao tratamento convencional.

Todas as pacientes receberam alopurinol via oral, na dose de 300 miligramas, duas vezes ao dia durante 30 dias. Não foram permitidas alterações na dosagem durante o acompanhamento.

Os níveis de ansiedade e dor foram avaliados antes do tratamento e nos dias 15 e 30. A intensidade da dor foi avaliada por meio de uma escala verba, uma escala visual analógica (EVA) e uma escala numérica. Os pacientes também realizaram uma versão modificada do Questionário de Dor McGill, uma medida que avalia diferentes aspectos da dor por auto-relato.

Resultados

Os resultados mostraram que os níveis de dor reduziram expressivamente nos dias 15 e 30 após o início do tratamento,  nas três escalas de dor.

No início do estudo, 10 pacientes (83%) classificaram a dor como intensa através da escala verbal. Após um mês de tratamento, apenas dois pacientes (17%) referiram a dor como intensa.

Da mesma maneira, as pontuações através da EVA reduziram de uma média de 7,5 no início do estudo, para 4,7 no final, em uma escala de 0 a 10. É importante salientar que pontuações mais elevadas significam dor mais intensa.

Em contrapartida, nenhum efeito significativo sobre a dor foi observado com o questionário McGill.

A equipe também não encontrou diferenças nos dias 15 e 30 na avaliação da ansiedade, através do Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) para Adultos.

Nenhum efeito colateral significativo foi relatado durante o período de um mês e nenhum paciente interrompeu o tratamento.

Conclusão

Em termos gerais, este estudo mostrou que “o alopurinol 300 mg duas vezes ao dia mostrou uma redução significativa nos escores de dor após 15 e 30 dias de tratamento em mulheres com fibromialgia”, descreveram os pesquisadores.

Entretanto, os pesquisadores informaram que estudos maiores e com seguimento mais longo são necessários para esclarecer o impacto desse tratamento no controle da dor da fibromialgia.

Texto publicado no Fibromyalgia News Today

Não deixe de ler também: 

Inflamação cerebral é vista pela primeira vez na fibromialgia

Fibromialgia e Alimentação: o que se sabe até o momento?