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TABAGISMO – O que você precisa saber

De: | Tags: , , | Comments: 0 | novembro 9th, 2016

O tabagismo é considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a principal causa  evitável de mortalidade, sendo responsável anualmente por aproximadamente seis milhões de mortes (mais de 10 mil por dia) em todo o mundo. A projeção para 2030 é de 8 milhões de mortes em decorrência do tabaco. O tabagismo é responsável pelo desenvolvimento de mais de 50 doenças, sendo as três principais causas de mortalidade a doença aterosclerótica cardiovascular, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica.

Benefícios da cessação

A cessação do tabagismo está associada à redução de mortalidade tanto para homens como para mulheres, independente da idade, e relaciona-se com uma redução substancial no risco de eventos cardiovasculares (incluindo infarto do miocárdio, morte súbita cardíaca e acidente vascular cerebral), nos indivíduos com ou sem história prévia de doença cardiovascular. Parar de fumar em idades mais jovens, especialmente antes dos 40 anos, está associado a um declínio maior na mortalidade prematura quando comparado com a cessação do tabagismo em uma idade mais avançada.

Aproximadamente 70% dos fumantes dizem ter vontade de parar de fumar, e mais de 50% relatam que tentaram  parar no último ano. No entanto, apenas 3 a 6% dos fumantes que tentam parar de fumar por conta própria, estão abstinentes um ano depois. Com o tratamento e o acompanhamento adequado,  as taxas de abstinência em um ano podem exceder 30%.

Riscos relacionados à cessação do tabagismo

Embora os riscos da cessação do tabagismo  sejam superados pelos benefícios, é importante conhecer seus riscos com intuito de aumentar a chance do tratamento dar certo e consequentemente evitar recaídas.

* Síndrome da abstinência da nicotina

– A nicotina é uma droga pscicoativa potente que causa tolerância e dependência psíquica. Na ausência da nicotina o fumante pode apresentar, já nos primeiros três dias, sintomas relacionados à síndrome de abstinência da nicotina, caracterizada por  insônia,  irritabilidade, frustração ou raiva,  ansiedade, dificuldade de concentração, inquietação, humor depressivo, anedonia e aumento do apetite. Esses sintomas geralmente começam a reduzir depois de três a quatro semanas, porém podem persistir por meses a anos.

Tratamento medicamentoso (reposição de nicotina, bupropiona e vareniclina) e terapia comportamental são importantes “armas” para evitar ou aliviar esses sintomas, por isso a importância de conhecê-los.

 * Ganho de peso

Um dos maiores receios dos fumantes ao considerar a cessação do tabagismo, principalmente entre as muheres, é o ganho de peso. Apesar de ser comum o ganho de peso logo após a cessação, os benefícios de parar de fumar superam os riscos do aumento de peso. Os mecanismos relacionados ao ganho de peso parecem ser decorrentes do aumento da ingesta calórica (melhora do paladar e do olfato), gratificação oral, mudanças nas preferências de comida e redução da taxa do metabolismo. O aconselhamento comportamental que aborda o aumento de peso, incluindo intervenções na dieta e na atividade física, tem sucesso em limitar o ganho de peso.

Tratamento

A maneira mais eficaz de promover a cessação do tabagismo é combinar terapia comportamental cognitiva com a farmacológica. Estas concomitantemente apresentam uma taxa de abandono do tabagismo maior do que qualquer terapia isoladamente. Mas antes de iniciar qualquer tratamento é fundamental acessar o grau de motivação para cessação do tabagismo e o grau de dependência.  A motivação é uma condição fundamental para iniciar o tratamento e sua ausência praticamente reduz as expectativas de abstinência.  E o grau de dependência de nicotina de um fumante prediz a dificuldade que ele ou ela terá em parar e a intensidade de tratamento que provavelmente será necessária.

Terapia comportamental cognitiva

A chave para se obter a abstinência do tabaco é fornecer ao fumante informação e material adequados sobre o que esperar durante as tentativas de parar, incluindo as expectativas sobre a retirada de nicotina. A terapia comportamental deve ser oferecida tanto no atendimento individual quanto em grupo. Os atendimentos devem ser realizados com periodicidade adequada e material de apoio deve ser fornecido aos pacientes para reforçar as orientações.

Quando o paciente entra na fase de ação, deve-se estimular a definição imediata da data de parada.  Em definindo a data, o fumante deve se afastar de tudo que lembre o cigarro. O fumante deve ser encorajado a identificar situações ou atividades que possam aumentar o risco de fumar e a traçar estratégias para enfrentar essas situações.

Uma estratégia comum usada para lidar com situações que podem levar a recaídas é baseada nessas três ações: evitar, mudar ou escapar. Por exemplo, o fumante deve pensar como minimizar o tempo gasto na companhia de fumantes; deve ser estimulado a começar uma rotina de exercícios, saindo do foco do tabaco; usar substitutos da gratificação oral para combater a fissura como: beber líquidos, chupar gelo, mascar algo (balas e chiclete dietéticos, cristais de gengibre, canela, etc.); estratégias para manter as mãos ocupadas como, por exemplo, escrever, digitar, costurar, pintar, etc; estratégias de manejo do estresse (por exemplo, respiração profunda, técnica de imaginação guiada, relaxamento muscular progressivo, meditação breve ou alongamento)

No caso de uma recaída, o profissional deve acolher o paciente sem críticas, mantendo o relacionamento de confiança e apoio já demonstrados anteriormente.

Tratamento medicamentoso

O tratamento medicamentoso para cessação do tabagismo tem como objetivo reduzir os sintomas de abstinência da nicotina, tornando assim mais fácil para o tabagista parar de fumar.  Os fármacos são classificados em nicotínicos e não-nicotínicos, e os principais medicamentos que demonstraram eficácia  na cessação do tabagismo incluem a terapia de reposição da nicotina (TRN), vareniclina e bupropiona ( considerados de 1° linha).

 

Terapia de Reposição da Nicotina (TRN)

Todas as formas de TRN são eficazes na cessação do tabagismo, com eficácia comprovada quando comparadas ao placebo.  Há duas formas de apresentação da TRN: liberação lenta (adesivos transdérmicos) e liberação rápida (goma, pastilhas, spray nasal e inalador). Diferenças na biodisponibilidade dos diferentes produtos  para TRN fornecem uma justificativa para sua combinação, e sua utilização aumenta a eficácia. O adesivo de nicotina tem início lento e ação prolongada, tendo como objetivo primário controlar os sintomas iniciais de retirada de nicotina. A TRN de liberação rápida e ação curta ajuda a controlar a fissura e sintomas de abstinência durante o dia. No Brasil, estão disponíveis somente as gomas e os adesivos transdérmicos.

 

Vareniclina

A Vareniclina é um agonista parcial dos receptores colinérgicos α4β2, o receptor que parece produzir os efeitos de reforço da nicotina e leva à dependência da nicotina. A vareniclina tem sido considerada uma droga eficaz, segura e bem tolerada nas doses recomendadas para os pacientes em processo de cessação do tabagismo. Os fumantes são orientados a iniciar a medicação uma semana antes de parar com o cigarro para atingir o nível sanguíneo adequado da medicação.

As duas principais preocupações de segurança que têm sido levantadas com vareniclina são efeitos neuropsiquiátricos e cardiovasculares. É recomendável fazer uma história psiquiátrica cuidadosa antes de prescrever o medicamento, evitando-o em fumantes com quadro psiquiátrico instável ou histórico recente de ideação suicida. Embora a vareniclina não esteja contraindicada aos fumantes com doença cardiovascular estável, os doentes devem ser aconselhados a auto-monitorizar os sinais e sintomas cardiovasculares novos ou agravados e obter cuidados médicos imediatos, se necessário. Outros eventos adversos relatados com freqüência incluíram náuseas, insônia, sonhos anormais, distúrbios visuais, síncope e reações cutâneas. Vareniclina é seguro para uso entre fumantes com doença pulmonar obstrutiva crônica.

 

Bupropiona

A Bupropiona atua através da redução do transporte neuronal dos neurotransmissores—dopamina e noradrenalina—ou do antagonismo aos receptores nicotínicos, levando à redução da fissura. Uma vez que o bupropiona leva de cinco a sete dias para atingir níveis séricos adequados, deve-se  iniciar a medicação  uma semana antes da data de cessação. É recomendável realizar o tratamento com bupropiona durante pelo menos 12 semanas.  O tratamento com bupropiona após as 12 semanas tem que ser indivudualizado, com base em tentativas anteriores de abandono e preferência do paciente. Os efeitos colaterais mais comuns da bupropiona são boca seca, insônia, agitação e cefaléia.

Todas as informações acima não substituem a consulta médica com um especialista.

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