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Espondilite anquilosante: o que é, quais os sintomas e qual o tratamento?

De: | Tags: , , , | Comments: 0 | agosto 24th, 2018

Espondilite anquilosante ou espondiloartropatia ou espondiloartrite?

Nesse texto abordaremos a diferença entre os termos espondilite anquilosante, espondiloartrite e espondiloartropatias, além de descrevermos quais sãos os seus sintomas e como é feito o diagnóstico e tratamento.

INTRODUÇÃO

A espondiloartrite (SpA) é uma doença inflamatória imunomediada  de causa desconhecida caracterizada por artrite inflamatória da coluna vertebral potencialmente incapacitante. Geralmente apresenta-se com dor lombar crônica de característica inflamatória e comumente o seu acometimento ocorre antes dos 45 anos.

É frequentemente associada ao comprometimento articular extraespinhal, incluindo sinovite, entesite e dactilite. Também pode estar associada a várias manifestações não-articulares como: uveíte, psoríase e doença inflamatória intestinal.

Os pacientes freqüentemente apresentam o gene do antígeno leucocitário humano (HLA)-B27. E os com doença inflamatória ativa, freqüentemente apresentam exames laboratoriais de fase aguda elevados.

 

NOMENCLATURA E CLASSIFICAÇÃO

Historicamente, a espondiloartrite (antes denominada espondiloartropatia), tem sido considerada a família das doenças que compartilham características clínicas, radiológicas, imunogenéticas e anatomopatológicas em comum. A espondilite anquilosante é o protótipo delas. Segundo essas peculiaridades elas dividem-se em:

  • Espondilite Anquilosante (EA)
  • Artrite reativa
  • Artrite psoriática
  • Espondiloartrite juvenil
  • Artrite e espondilite associada à doença inflamatória intestinal (ex. doença de Crohn e colite ulcerativa)
  • Espondiloartrite indiferenciada

O termo “espondiloartrite axial” (axSpA) tornou-se uma nomenclatura padrão a partir de 2009, baseada em um estudo realizado pela Sociedade Internacional de Avaliação da Espondiloartrite (ASAS). Desde então as espondiloartrites (SpA) foram classificadas em dois grandes grupos:

SpA com envolvimento predominantemente axial: é denominada “espondiloartrite axial” (axSpA), e compreende a espondilite anquilosante (EA), tipicamente com sacroiliíte evidenciada em radiografia simples e a espondiloartrite axial, sem alterações radiográficas de sacroileíte (nr-axSpA).

SpA com envolvimento predominantemente periférico:  é denominada “espondiloartrite periférica”, e compreende as doenças que apresentam o sintomas predominantes de artrite periférica, entesite periférica e / ou dactilite. Encaixam-se nesse grupo a artrite psoriásica, artrite reativa e artrites associadas a doença inflamatória intestinal.

 

EPIDEMIOLOGIA

A prevalência das espondiloartrites varia bastante dependendo do grupo étnico e da presença ou não do HLA-B27. Nos Estados Unidos, as estimativas da prevalência de espondiloartrite axial são de 1,0 a 1,4%. Já na França é cerca de 0,3%, enquanto na Alemanha pode chegar até a 1,9%.

Existe uma correlação evidente também entre a prevalência de espondilite anquilosante e a do HLA -B27. Na Holanda e na Noruega, por exemplo, a prevalência de espondilite anquilosante pode chegar a 6,4% e 6,7% , aproximadamente.

A espondilite anquilosante é mais comum entre os homens, mas a espondiloartrite axial não radiográfica acomete  em homens e mulheres de maneira semelhante.

A progressão da espondiloartrite não radiográfica para espondilite anquilosante é lenta com estimativa de 5,1% em 5 anos e 19% em 10 anos.

 

SINAIS E SINTOMAS

Os pacientes que tem espondiloartrite caracterizam-se por apresentar comprometimento da coluna vertebral e sacroilíaca (sacroileíte), das articulações periféricas (ex. tornozelos, joelhos), ênteses (inserção ligamentar ou tendínea no osso)  e dígitos.  Envolvimento extra-articular também pode estar presente como lesão ocular, cutânea e intestinal.

Segue abaixo as manifestações osteomusculares e extra-articulares:

 

MANIFESTAÇÕES OSTEOMUSCULARES

As principais manifestações musculoesqueléticas incluem:

  • Acometimento da coluna vertebral e sacroilíacas
  • Acometimento do quadril e ombros
  • Artrite periférica
  • Inflamação de ênteses
  • Dactilite

 

Acometimento da coluna vertebral e sacroilíacas

 A maioria dos pacientes com espondiloartrite axial refere dor nas costas, que freqüentemente, tem características sugestivas de dor inflamatória. “Dor lombar inflamatória” é sugestiva quando pelo menos quatro das cinco características seguintes estão presentes:

  • Idade de início <40 anos
  • Início insidioso
  • Melhora com exercício
  • Ausência de melhora com o repouso
  • Dor no período noturno (com melhora após levantar-se)

A dor nas nádegas, principalmente dor alternante entre os dois lados, pode ser indicativa do envolvimento de sacroilíacas. Lembrar que a dor também pode ser unilateral.

A dor cervical pode ser um sintoma inicial da doença e se torna um dos principais problemas em quase metade dos pacientes com espondiloartrite axial.

Anormalidades estruturais das vértebras são muito mais graves na espondilite anquilosante avançada em comparação com o espondiloartrite não radiográfica.

 

Acometimento do quadril e ombros

O acometimento do quadril está presente  em 25 -35% dos paciente s com espondilite anquilosante. Além disso, está associado a um maior grau de incapacidade e a um pior prognóstico.

O sintoma típico de comprometimento de quadril é a dor na virilha, mas pode ser referida também medialmente na coxa ou até mesmo no joelho.

 

Artrite periférica

A artrite periférica é freqüentemente observada em pacientes com  espondiloartrite axial.  As articulações mais comumente afetadas foram os tornozelos (40%), joelhos (29%), ombros (19%) e as articulações esternoclaviculares (14%).

 

Inflamação de ênteses (entesite)

A êntese é a região de inserção dos tendões e ligamentos ao osso. A entesite é a inflamação da êntese, uma característica clássica das espondiloartrites. A entesite se manifesta como dor, rigidez e sensibilidade nessas inserções, geralmente sem muito edema local, embora o edema seja uma característica proeminente na inserção do tendão de Aquiles.

Além do comprometimento na inserção do tendão de Aquiles,  as espondiloartrites podem manifestar-se com entesite da fáscia plantar em calcâneo, dos ombros, das junções costocondrais, das articulações manúbrio-esternais e esternoclaviculares e ao longo da crista ilíaca superior.

 

Dactilite

Dactilite, também conhecida como “dedos em salsicha” é caracterizada por inchaço difuso de dedos.

 

MANIFESTAÇÕES EXTRA-ARTICULARES

Algumas doenças estão tão fortemente associadas à doença articular que parecem fazer parte da própria espondiloartrite. Essas doenças coexistentes, especialmente a uveíte anterior aguda, a psoríase e a doença inflamatória intestinal (DII), são portanto, denominadas “manifestações extra-articulares” .

 

Uveíte anterior

A uveíte unilateral é bastante comum nas espondiloartrites. A frequência de uveíte é de aproximadamente 25 a 35%. A ocorrência de uveíte está associada à maior duração da doença e à presença do antígeno leucocitário humano HLA -B27.

A uveíte apresenta-se tipicamente como dor unilateral de início agudo, fotofobia e turvação visual. Cerca de 50 por cento dos pacientes com uveíte anterior unilateral recorrente aguda têm alguma forma de espondiloartrite. A atividade e a gravidade da doença ocular não estão correlacionadas com a atividade e gravidade da doença articular.

 

Doença inflamatória intestinal

A doença de Crohn e a colite ulcerativa estão presentes em aproximadamente 6,4% dos pacientes com espondiloartrite axial não radiográfica  e 4,1% daqueles com espondilite anquilosante.

Por outro lado, dor lombar  e nas articulações é bastante prevalente em pacientes com doença inflamatória intestinal. Pelo menos um terço dos pacientes apresentam alguma característica das espondiloartrites, incluindo comprometimento axial e periférico, com alterações nas articulações sacro-ilíacas visíveis na imagem radiológica.

 

Psoríase

A psoríase está presente em mais de 10% dos doentes com EA e espondiloartrite axial não-radiográfica. Pacientes com psoríase concomitante têm envolvimento articular periférico mais freqüente e, possivelmente, um curso mais grave da doença em comparação com pacientes sem psoríase.

 

Doença cardiovascular

A espondilite anquilosante está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares. Incluem-se as síndromes coronarianas agudas, acidentes vasculares cerebrais, tromboembolismo venoso, anormalidades de condução  e doença da raiz da aorta

 

Doença pulmonar

A doença pulmonar ocorre em uma pequena porcentagem de pacientes com espondilite anquilosante de longa data. São alterações restritivas causadas pela doença musculoesquelética e alterações nos próprios pulmões, incluindo anormalidades intersticiais, nodulares e parenquimatosas.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é realizado de acordo com os achados clínicos ( história clínica e exame físico) associado aos achados laboratoriais e de imagem . Deve ser  sempre suspeitado naqueles pacientes jovens com dor lombar crônica com características inflamatórias (descritas acima).

 

Achados Laboratoriais

Os achados laboratoriais na espondiloartrites são geralmente inespecíficos. Uma resposta de fase aguda elevada pode estar presente, incluindo VHS e PCR elevados, em cerca de 50 a 70% dos pacientes com espondilite anquilosante.  Essas alterações são menos frequentes em pacientes com espondiloartrite não radiográfica (aproximadamente 30 por cento). Assim, uma VHS e PCR normais não excluem o diagnóstico.

O nível sérico de fosfatase alcalina específica do osso pode estar elevado nos casos graves.

O HLA-B27 está presente, mas não invariavelmente, na maioria dos pacientes.

 

Achados de Imagem

Alterações definitivas na radiografia simples de sacroilíacas são características da espondilite anquilosante. Enquanto a maioria dos pacientes com espondiloartrite axial não radiográfica, por definição,  exibe radiografia simples normal ou minimamente anormal dessas articulações. No entanto pode apresentar alterações específicas na ressonância magnética.

 

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

O diagnóstico diferencial  das espondiloartrites incluem:

  • Dor lombar mecânica aguda ou crônica
  • Fibromialgia
  • Hiperostose esquelética idiopática difusa (DISH)
  • Infecção das sacroilíacas
  • Osteíte Condensante
  • Osteocondrose erosiva.

 

TRATAMENTO

O principal objetivo do tratamento para pacientes com espondiloartrite é fornecer a melhor qualidade de vida a longo prazo:

● Alívio dos sintomas – Remissão dos sintomas de dor, rigidez e fadiga ou reduzi-los ao menor nível possível
● Manutenção da função – Manter a capacidade funcional a melhor possível
● Prevenção de complicações da coluna vertebral – Evitar contraturas de flexão, especialmente cifose dorsal
● Redução das manifestações extra-espinhais e extra-articulares e comorbidades – Redução do impacto de lesões como uveíte e insuficiência valvar aórtica

 

Terapia Não Farmacológica

Os exercícios domiciliares são bastante eficazes, mas programas de exercícios supervisionados ou fisioterapia podem ser mais benéficos. Uma avaliação inicial e treinamento por um fisioterapeuta devem fazer parte do regime terapêutico ideal.  Os exercícios incluem readequação postural, alongamento para melhorar amplitude de movimento, atividades recreativas e também hidroterapia. Além disso, medidas de alívio da dor, como calor ou frio local, podem ser benéficas.

 

Terapia Farmacológica

O tratamento farmacológico inclui um ou mais dos seguintes:

  • Drogas anti-inflamatórias não esteróides (NSAIDs),
  • Analgésicos,
  • Sulfassalazina,
  • Agentes do fator de necrose tumoral (infliximabe, etanercepte, adalimumabe, certolizumabe e golimumabe).

Os glicocorticoides sistêmicos têm um papel limitado, mas injeções intra-articulares podem ser úteis para alguns pacientes.

O secukinumab (anti-interleucina L17)  é um agente biológico alternativo que pode ser utilizado em doentes com espondilite anquilosante ativa e artrite psoriásica.

 

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Marcelo de Loyola e Silva Avellar Fonseca CRM-PR 24-812

 

Dr. Marcelo de Loyola e Silva Avellar Fonseca – Reumatologista

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